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23 de julho de 20267 min de leituraCasatoo

Taxa fixa, mista ou variável: compare antes do CPCV

Como comparar FINE, TAN, TAEG, MTIC, spread, seguros e prestação futura antes de escolher uma proposta de crédito habitação.

Casal comprador compara três percursos de taxa fixa, mista e variável que conduzem à mesma casa portuguesa

Recebeu três propostas de crédito habitação. Uma anuncia a prestação mais baixa, outra o menor spread e outra uma taxa fixa que parece mais cara. Ainda não sabe qual custa menos — porque pode estar a comparar prazos, seguros e momentos diferentes do empréstimo.

Antes do CPCV, transforme cada proposta numa comparação com os mesmos dados. Depois escolha o risco que o orçamento consegue suportar, sem tentar adivinhar a próxima Euribor.

Pontos-chave

  • Compare o mesmo montante, prazo e modalidade de reembolso; só depois use TAEG e MTIC.
  • Numa taxa mista, leia agora a fórmula, o spread e a data da passagem para taxa variável.
  • Preço dos seguros, condições do pacote e margem mensal podem valer mais do que uma pequena diferença de spread.

Primeiro, compare a mesma coisa

A prestação inicial não é uma medida suficiente. Um prazo mais longo reduz a prestação, mas normalmente aumenta o total pago. Uma taxa mista pode mostrar uma prestação fixa competitiva nos primeiros anos sem mostrar, no destaque comercial, o que acontece depois.

Peça a cada banco ou intermediário uma simulação com:

  • o mesmo montante de empréstimo;
  • o mesmo prazo;
  • a mesma modalidade de reembolso, sem carência ou capital diferido numa proposta apenas;
  • os mesmos titulares e finalidade;
  • indicação clara dos seguros e produtos incluídos;
  • o mesmo momento de referência, tanto quanto possível.

O Banco de Portugal explica que a TAEG deve comparar propostas com o mesmo prazo e modalidade de reembolso. Se os dados de base forem diferentes, a percentagem parece objetiva, mas a comparação não é limpa.

NúmeroO que respondeLimite
TANQuanto custa o juro nominal aplicável.Não inclui seguros, comissões e outros encargos.
TAEGQual é o custo anual total estimado do crédito.Compare apenas propostas normalizadas e confirme as hipóteses.
MTICQuanto capital e custos estão projetados em euros até ao fim.Depende do prazo e das hipóteses usadas na FINE.
PrestaçãoQuanto sai por mês num momento concreto.Pode excluir seguros e mudar com a taxa ou com o fim de uma campanha.

Escolha o tipo de risco, não a taxa “vencedora”

Não existe uma modalidade sempre melhor. Só no fim do empréstimo seria possível saber qual teria custado menos. Hoje, a escolha é entre previsibilidade, exposição à variação e flexibilidade.

ModalidadeComo funcionaO que confirmar
Taxa fixaA taxa acordada mantém-se durante o período fixo contratado.Prestação, custo total, prazo fixo e custo de reembolso antecipado.
Taxa variávelNormalmente soma Euribor e spread e revê na periodicidade do indexante.Indexante, spread, data de revisão e prestação em cenários de subida.
Taxa mistaComeça fixa e passa depois para taxa variável.Fim do período fixo, Euribor, spread posterior e primeira revisão.

Numa taxa variável, um spread baixo não impede a prestação de subir quando o indexante sobe. Numa taxa fixa, paga pela certeza e pode ter menos flexibilidade para amortizar. Numa taxa mista, não compare apenas o período inicial: peça a prestação estimada no primeiro mês variável e a fórmula que será aplicada.

Leia a FINE como um contrato em preparação

Sempre que há uma simulação, deve receber uma Ficha de Informação Normalizada Europeia, a FINE. Para habitação própria permanente, a informação deve permitir ver condições para taxa fixa, mista e variável. Depois de escolher a modalidade e de o crédito ser aprovado, recebe uma nova FINE com as condições aprovadas e a minuta do contrato.

O que extrair de cada FINE

  • montante, prazo e número de prestações;
  • TAN, TAEG, MTIC e valor da prestação;
  • indexante, spread e periodicidade de revisão;
  • numa taxa mista, duração fixa e fórmula do período variável;
  • comissões iniciais, periódicas e de avaliação;
  • seguros exigidos e custos usados no cálculo;
  • conta, cartões, domiciliações e outros produtos facultativos;
  • condições e comissão de reembolso antecipado;
  • quadros de reembolso e cenários de alteração da taxa.

A TAEG inclui, entre outros elementos, juros, comissões, certos impostos e registos, seguros exigidos e alguns custos de conta ou pagamento obrigatórios. Não inclui tudo: por exemplo, a comissão de reembolso antecipado e os custos notariais ficam fora. Leia a lista, não apenas a percentagem.

O MTIC converte a projeção num total em euros. Use-o para perceber o efeito do prazo, mas confirme as hipóteses: numa taxa variável, o futuro indexante não está garantido; os prémios de seguro também podem evoluir.

Um spread baixo pode trazer uma lista de compras

O banco pode propor produtos facultativos em troca de melhores condições: seguros, conta, cartão, domiciliação do ordenado ou outros serviços. “Facultativo” não significa “sem efeito”. O contrato pode prever que o spread aumente se deixar de cumprir o pacote.

Faça duas contas para cada proposta:

  1. custo do crédito com os produtos e o spread reduzido;
  2. custo do crédito sem cada produto e com o spread correspondente.

Some o custo anual de conta, cartões e seguros. Nos seguros, não use apenas o primeiro prémio: confirme como pode variar com a idade, o capital em dívida e a atualização da apólice. Veja também as coberturas — um seguro barato não é equivalente se protege menos.

Se ponderar seguros externos, peça ao banco os requisitos de garantia e uma simulação sem a bonificação associada. Guarde a resposta por escrito.

Teste a prestação antes de testar o seu limite

O orçamento deve sobreviver a um cenário pior, não apenas à prestação anunciada. Use o simulador do Banco de Portugal ou peça ao banco cenários alternativos.

Teste de resistência do comprador

  • registe a prestação inicial mais seguros e produtos mensais;
  • numa taxa mista, simule a passagem para variável na data prevista;
  • numa taxa variável, teste a TAN com mais um e dois pontos percentuais;
  • repita com o capital e prazo que ainda existirão nessa data;
  • subtraia a prestação total ao rendimento líquido depois das despesas regulares;
  • mantenha uma reserva para condomínio, IMI, manutenção e imprevistos;
  • não dependa de um aumento de rendimento futuro para a conta fechar.

Este teste não prevê taxas. Mede a sua margem. Se uma subida plausível elimina toda a poupança mensal, a casa ou a estrutura do crédito pode estar demasiado apertada.

Pense também no horizonte. Se espera vender, transferir o crédito ou amortizar cedo, compare a flexibilidade. O Banco de Portugal indica atualmente comissões máximas gerais de 0,5% do capital reembolsado na taxa variável e 2% na taxa fixa, salvo valor contratual inferior ou isenção aplicável. Confirme na FINE aprovada qual regra se aplica ao seu período de taxa.

A melhor simulação ainda não é aprovação

Uma FINE de simulação ajuda a comparar. Não garante que o banco aprove o montante, o imóvel ou as mesmas condições. A decisão final ainda pode depender de documentos, solvabilidade, avaliação, seguros e validação do imóvel.

Depois da aprovação, o banco entrega a FINE final e a minuta. Segundo o Banco de Portugal, as condições aprovadas vinculam a instituição por pelo menos 30 dias e existe um período obrigatório de reflexão de sete dias. O comprador não pode dispensar esses sete dias para acelerar a escritura.

Se vai assinar CPCV com crédito, faça o calendário caber no processo real. Negocie prazo, condição de financiamento, avaliação e destino do sinal com aconselhamento jurídico. Uma prestação atrativa não protege o sinal se a aprovação final falhar.

Feche com uma folha de decisão

Crie uma linha por proposta e preencha estas sete colunas:

  1. modalidade e duração de cada período;
  2. prestação inicial total, incluindo seguros;
  3. TAEG;
  4. MTIC;
  5. produtos necessários e custo anual;
  6. prestação no seu cenário de esforço;
  7. custo e regras para amortizar, transferir ou retirar produtos.

Elimine primeiro as propostas que não cabem no cenário de esforço. Entre as restantes, escolha pela combinação de custo, previsibilidade, cobertura de seguros e flexibilidade que corresponde ao seu plano de vida.

Perguntas frequentes

Taxa fixa, mista ou variável: qual é mais barata?
Não é possível saber antecipadamente qual será mais barata durante todo o prazo. A escolha depende das condições concretas, da evolução futura das taxas, da margem mensal e do valor que atribui à previsibilidade e flexibilidade.
A proposta com TAEG mais baixa ganha sempre?
Não automaticamente. A TAEG é a melhor base de custo quando montante, prazo e modalidade de reembolso são equivalentes. Confirme ainda seguros, produtos, hipóteses da FINE, flexibilidade e risco de subida da prestação.
Posso mudar de modalidade ou de banco depois?
Pode haver renegociação, transferência ou novo financiamento, mas depende de nova aprovação, condições de mercado, custos e contrato. Não escolha hoje assumindo que uma alteração futura será garantida ou gratuita.

Próximo passo

Peça as FINEs com os mesmos dados e preencha a folha de sete colunas antes de negociar o CPCV. Se não consegue explicar quando a prestação muda e quanto sobra no cenário de esforço, ainda não terminou a comparação.

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