Taxa fixa, mista ou variável: compare antes do CPCV
Como comparar FINE, TAN, TAEG, MTIC, spread, seguros e prestação futura antes de escolher uma proposta de crédito habitação.

Recebeu três propostas de crédito habitação. Uma anuncia a prestação mais baixa, outra o menor spread e outra uma taxa fixa que parece mais cara. Ainda não sabe qual custa menos — porque pode estar a comparar prazos, seguros e momentos diferentes do empréstimo.
Antes do CPCV, transforme cada proposta numa comparação com os mesmos dados. Depois escolha o risco que o orçamento consegue suportar, sem tentar adivinhar a próxima Euribor.
Pontos-chave
- Compare o mesmo montante, prazo e modalidade de reembolso; só depois use TAEG e MTIC.
- Numa taxa mista, leia agora a fórmula, o spread e a data da passagem para taxa variável.
- Preço dos seguros, condições do pacote e margem mensal podem valer mais do que uma pequena diferença de spread.
Primeiro, compare a mesma coisa
A prestação inicial não é uma medida suficiente. Um prazo mais longo reduz a prestação, mas normalmente aumenta o total pago. Uma taxa mista pode mostrar uma prestação fixa competitiva nos primeiros anos sem mostrar, no destaque comercial, o que acontece depois.
Peça a cada banco ou intermediário uma simulação com:
- o mesmo montante de empréstimo;
- o mesmo prazo;
- a mesma modalidade de reembolso, sem carência ou capital diferido numa proposta apenas;
- os mesmos titulares e finalidade;
- indicação clara dos seguros e produtos incluídos;
- o mesmo momento de referência, tanto quanto possível.
O Banco de Portugal explica que a TAEG deve comparar propostas com o mesmo prazo e modalidade de reembolso. Se os dados de base forem diferentes, a percentagem parece objetiva, mas a comparação não é limpa.
| Número | O que responde | Limite |
|---|---|---|
| TAN | Quanto custa o juro nominal aplicável. | Não inclui seguros, comissões e outros encargos. |
| TAEG | Qual é o custo anual total estimado do crédito. | Compare apenas propostas normalizadas e confirme as hipóteses. |
| MTIC | Quanto capital e custos estão projetados em euros até ao fim. | Depende do prazo e das hipóteses usadas na FINE. |
| Prestação | Quanto sai por mês num momento concreto. | Pode excluir seguros e mudar com a taxa ou com o fim de uma campanha. |
Escolha o tipo de risco, não a taxa “vencedora”
Não existe uma modalidade sempre melhor. Só no fim do empréstimo seria possível saber qual teria custado menos. Hoje, a escolha é entre previsibilidade, exposição à variação e flexibilidade.
| Modalidade | Como funciona | O que confirmar |
|---|---|---|
| Taxa fixa | A taxa acordada mantém-se durante o período fixo contratado. | Prestação, custo total, prazo fixo e custo de reembolso antecipado. |
| Taxa variável | Normalmente soma Euribor e spread e revê na periodicidade do indexante. | Indexante, spread, data de revisão e prestação em cenários de subida. |
| Taxa mista | Começa fixa e passa depois para taxa variável. | Fim do período fixo, Euribor, spread posterior e primeira revisão. |
Numa taxa variável, um spread baixo não impede a prestação de subir quando o indexante sobe. Numa taxa fixa, paga pela certeza e pode ter menos flexibilidade para amortizar. Numa taxa mista, não compare apenas o período inicial: peça a prestação estimada no primeiro mês variável e a fórmula que será aplicada.
Leia a FINE como um contrato em preparação
Sempre que há uma simulação, deve receber uma Ficha de Informação Normalizada Europeia, a FINE. Para habitação própria permanente, a informação deve permitir ver condições para taxa fixa, mista e variável. Depois de escolher a modalidade e de o crédito ser aprovado, recebe uma nova FINE com as condições aprovadas e a minuta do contrato.
O que extrair de cada FINE
- montante, prazo e número de prestações;
- TAN, TAEG, MTIC e valor da prestação;
- indexante, spread e periodicidade de revisão;
- numa taxa mista, duração fixa e fórmula do período variável;
- comissões iniciais, periódicas e de avaliação;
- seguros exigidos e custos usados no cálculo;
- conta, cartões, domiciliações e outros produtos facultativos;
- condições e comissão de reembolso antecipado;
- quadros de reembolso e cenários de alteração da taxa.
A TAEG inclui, entre outros elementos, juros, comissões, certos impostos e registos, seguros exigidos e alguns custos de conta ou pagamento obrigatórios. Não inclui tudo: por exemplo, a comissão de reembolso antecipado e os custos notariais ficam fora. Leia a lista, não apenas a percentagem.
O MTIC converte a projeção num total em euros. Use-o para perceber o efeito do prazo, mas confirme as hipóteses: numa taxa variável, o futuro indexante não está garantido; os prémios de seguro também podem evoluir.
Um spread baixo pode trazer uma lista de compras
O banco pode propor produtos facultativos em troca de melhores condições: seguros, conta, cartão, domiciliação do ordenado ou outros serviços. “Facultativo” não significa “sem efeito”. O contrato pode prever que o spread aumente se deixar de cumprir o pacote.
Faça duas contas para cada proposta:
- custo do crédito com os produtos e o spread reduzido;
- custo do crédito sem cada produto e com o spread correspondente.
Some o custo anual de conta, cartões e seguros. Nos seguros, não use apenas o primeiro prémio: confirme como pode variar com a idade, o capital em dívida e a atualização da apólice. Veja também as coberturas — um seguro barato não é equivalente se protege menos.
Se ponderar seguros externos, peça ao banco os requisitos de garantia e uma simulação sem a bonificação associada. Guarde a resposta por escrito.
Teste a prestação antes de testar o seu limite
O orçamento deve sobreviver a um cenário pior, não apenas à prestação anunciada. Use o simulador do Banco de Portugal ou peça ao banco cenários alternativos.
Teste de resistência do comprador
- registe a prestação inicial mais seguros e produtos mensais;
- numa taxa mista, simule a passagem para variável na data prevista;
- numa taxa variável, teste a TAN com mais um e dois pontos percentuais;
- repita com o capital e prazo que ainda existirão nessa data;
- subtraia a prestação total ao rendimento líquido depois das despesas regulares;
- mantenha uma reserva para condomínio, IMI, manutenção e imprevistos;
- não dependa de um aumento de rendimento futuro para a conta fechar.
Este teste não prevê taxas. Mede a sua margem. Se uma subida plausível elimina toda a poupança mensal, a casa ou a estrutura do crédito pode estar demasiado apertada.
Pense também no horizonte. Se espera vender, transferir o crédito ou amortizar cedo, compare a flexibilidade. O Banco de Portugal indica atualmente comissões máximas gerais de 0,5% do capital reembolsado na taxa variável e 2% na taxa fixa, salvo valor contratual inferior ou isenção aplicável. Confirme na FINE aprovada qual regra se aplica ao seu período de taxa.
A melhor simulação ainda não é aprovação
Uma FINE de simulação ajuda a comparar. Não garante que o banco aprove o montante, o imóvel ou as mesmas condições. A decisão final ainda pode depender de documentos, solvabilidade, avaliação, seguros e validação do imóvel.
Depois da aprovação, o banco entrega a FINE final e a minuta. Segundo o Banco de Portugal, as condições aprovadas vinculam a instituição por pelo menos 30 dias e existe um período obrigatório de reflexão de sete dias. O comprador não pode dispensar esses sete dias para acelerar a escritura.
Se vai assinar CPCV com crédito, faça o calendário caber no processo real. Negocie prazo, condição de financiamento, avaliação e destino do sinal com aconselhamento jurídico. Uma prestação atrativa não protege o sinal se a aprovação final falhar.
Feche com uma folha de decisão
Crie uma linha por proposta e preencha estas sete colunas:
- modalidade e duração de cada período;
- prestação inicial total, incluindo seguros;
- TAEG;
- MTIC;
- produtos necessários e custo anual;
- prestação no seu cenário de esforço;
- custo e regras para amortizar, transferir ou retirar produtos.
Elimine primeiro as propostas que não cabem no cenário de esforço. Entre as restantes, escolha pela combinação de custo, previsibilidade, cobertura de seguros e flexibilidade que corresponde ao seu plano de vida.
Perguntas frequentes
Taxa fixa, mista ou variável: qual é mais barata?
A proposta com TAEG mais baixa ganha sempre?
Posso mudar de modalidade ou de banco depois?
Próximo passo
Peça as FINEs com os mesmos dados e preencha a folha de sete colunas antes de negociar o CPCV. Se não consegue explicar quando a prestação muda e quanto sobra no cenário de esforço, ainda não terminou a comparação.
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