Comprovativo de fundos: prepare antes do CPCV
Como preparar prova de fundos, origem do dinheiro, transferências, entrada, crédito e pagamentos antes de comprar casa em Portugal.

Ter dinheiro para comprar casa não chega. Antes do CPCV ou da escritura, pode ter de mostrar de onde veio o dinheiro, por que contas passou, quem paga, quem compra e que parte vem de crédito, poupança, venda de outro imóvel, família, empresa ou investimentos.
O objetivo não é assustar. É evitar que uma compra boa fique presa porque o banco, a mediadora, o solicitador, o notário, a conservatória ou o Balcão Casa Pronta precisam de mais comprovativos mesmo antes de assinar.
Pontos-chave
- Prepare o dossier de fundos antes da reserva ou do CPCV, não na véspera da escritura.
- O ponto crítico é a rastreabilidade: origem, contas usadas, titulares, datas, valores e destino final.
- Se o dinheiro vem de fora, de família, de empresa ou de investimentos, peça cedo a lista de comprovativos ao banco e ao profissional que vai fazer o ato.
Quem pode pedir comprovativos
Numa compra em Portugal, a pergunta sobre fundos pode vir de vários lados. A mediadora pode ter deveres de identificação e diligência antes da transação ou até antes do contrato-promessa. O banco avalia solvabilidade e origem dos fundos quando há crédito. O profissional que prepara a escritura também pode pedir dados de identificação, beneficiário efetivo e meios de pagamento.
Isto não significa que todos vão pedir o mesmo. Significa que deve saber quem está a pedir, para que finalidade, que documento falta e em que prazo.
| Quem pede | O que costuma querer perceber |
|---|---|
| Banco | Rendimentos, despesas, entrada, origem da entrada, contas usadas, capacidade para pagar o crédito e coerência da operação. |
| Mediadora | Identificação das partes, quem é o comprador real, dados da transação e sinais de risco antes de reserva ou CPCV. |
| Notário, solicitador, advogado, conservatória ou Casa Pronta | Identificação, poderes, preço, meios de pagamento, titularidade dos fundos e documentos necessários para o ato. |
| Banco estrangeiro ou plataforma de câmbio | Origem do dinheiro antes de enviar ou converter valores elevados para Portugal. |
Monte um dossier simples antes do CPCV
O melhor dossier e chato, claro e rastreável. Deve mostrar que o comprador tem capacidade para pagar e que o dinheiro chega por um caminho normal, documentado e coerente com a sua vida financeira.
Dossier base
- documento de identificação, NIF e morada fiscal dos compradores;
- comprovativo de estado civil ou regime patrimonial quando relevante;
- extratos das contas de onde saem reserva, sinal, entrada e preço final;
- prova de rendimentos: recibos, declaração fiscal, contrato, pensão, dividendos ou contabilidade, conforme o caso;
- simulação, FINE, aprovação ou comunicações do banco quando há crédito;
- prova da origem de valores maiores que entraram recentemente na conta;
- identificação da conta que vai receber ou emitir cheque bancário/transferência;
- recibos de reserva e sinal, sempre com titular, valor, data e referência ao imóvel.
Não envie documentos soltos por vários canais se pode evitar. Guarde uma pasta com nomes claros, versões atuais e notas curtas: "entrada vinda da venda do imóvel X", "donativo dos pais", "dividendos 2025", "resgate de investimento".
A origem do dinheiro tem de fazer sentido
O problema raramente é ter um extrato com saldo. O problema é explicar de forma simples como o saldo apareceu. Uma conta que recebe 80.000 euros poucos dias antes do CPCV pode ser totalmente legítima, mas vai gerar perguntas se não houver prova.
| Origem | Prova prática a preparar |
|---|---|
| Poupança de salário | Extratos com acumulação gradual, recibos de vencimento, declaração fiscal e explicação das contas usadas. |
| Venda de outro imóvel | Escritura ou contrato de venda, comprovativo de recebimento, distrate se aplicável e transferência para a conta de compra. |
| Ajuda de família | Identificação de quem envia, relação familiar, prova da transferência e documento que explique se é doação, empréstimo ou adiantamento. |
| Empresa, dividendos ou trabalho independente | Declarações fiscais, contas, atas ou comprovativos de distribuição, faturas e extratos coerentes. |
| Investimentos ou cripto convertido | Extratos da corretora/plataforma, prova de venda/conversão, transferências para banco e declarações fiscais quando aplicável. |
| Conta estrangeira | Extratos da conta de origem, titularidade, comprovativo de câmbio/transferência e explicação da ligação ao comprador. |
Se a história tem vários passos, desenhe a rota: conta A, venda ou rendimento, transferência para conta B, câmbio, conta portuguesa, pagamento do sinal, preço final. Uma linha temporal evita muitas perguntas repetidas.
Não deixe o pagamento final para improviso
No dia da escritura, os valores, titulares e meios de pagamento devem estar alinhados. Se o pagamento sai de uma conta em nome de outra pessoa, de uma empresa ou de banco estrangeiro, confirme antes se isso é aceite e que documento adicional é preciso.
Antes de pagar reserva, sinal ou preço final
- confirme quem paga, de que conta, para que conta e com que referência;
- evite caminhos difíceis de explicar, como dinheiro vivo, terceiros sem ligação clara ou várias contas sem motivo;
- guarde comprovativo de cada pagamento e recibo do destinatário;
- pergunte se a escritura indicará transferência, cheque bancário ou outro meio de pagamento;
- se houver câmbio internacional, confirme prazos, limites, custos e comprovativos antes da data-limite;
- alinhe com o banco quando os fundos próprios devem estar disponíveis para a escritura.
Em compras com crédito, não confunda duas verificações. O banco pode aprovar o empréstimo e, ao mesmo tempo, pedir mais prova sobre a entrada. A pré-aprovação não resolve automaticamente a origem dos fundos próprios.
Partilhe o necessário, mas proteja-se
Comprovativo de fundos não é convite para entregar toda a sua vida financeira a qualquer pessoa. Há documentos que fazem sentido para banco ou profissional do ato, mas não necessariamente para o vendedor.
Pergunte quem é a entidade obrigada a recolher a informação, como os documentos serão guardados, se pode ocultar movimentos irrelevantes e se basta mostrar saldo, origem e titularidade. Nunca entregue palavras-passe, códigos de acesso, chaves de autenticação ou acesso direto a contas.
Como reduzir risco no CPCV
Se sabe que a origem dos fundos pode demorar a validar, não assine um CPCV como se tudo dependesse apenas da vontade do comprador. Trate compliance, transferes internacionais e crédito como prazos reais.
Pontos a discutir
- prazo suficiente entre CPCV e escritura para crédito, compliance, câmbio e transferências internacionais;
- condição de financiamento se a compra depende de crédito;
- condição ou prazo para entrega de documentos essenciais pelo vendedor e comprador;
- forma de pagamento do sinal e do preço final, com recibos e comprovativos;
- consequência se banco, notário ou conservatória pedirem documentos adicionais de boa-fé;
- regra clara para extensão de prazo quando atraso vem de validação bancária documentada.
Use estes pontos como agenda para advogado ou solicitador. O pior momento para descobrir que falta prova da origem do dinheiro e depois de o sinal ficar em risco.
Perguntas frequentes
Um extrato com saldo basta para comprar casa?
Posso usar dinheiro enviado por familiares?
O vendedor tem direito a ver todos os meus extratos?
Próximo passo
Antes de reservar, escreva numa página a rota do dinheiro: origem, contas, titulares, datas, valores e destino. Depois peça ao banco e ao profissional da escritura a lista de comprovativos. Se um documento pode atrasar a compra, trate dele antes do CPCV.
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